Tente outra Vez
Se a recidiva vier, não desanime!
Há desafio no caminho, mas você pode desbravá-los e superá-los

No início do tratamento oncológico, o médico define o melhor protocolo para o paciente: explica como será, qual a previsão de término, as possíveis intercorrências, entre outros aspectos.
Assim, o médico se torna um “guia do caminho a ser percorrido”. Ao paciente, então, cabe o papel de “desbravador”, descobrindo a cada dia novas maneiras de lidar com tudo o que está acontecendo.
Essa estrada pode ter vários desafios: alguns maiores, outros mais difíceis, ou mais fáceis. Ao longo do caminho há perdas e conquistas, enfrentamentos e superações, prejuízos e ganhos, porém, o maior anseio é chegar ao fim com muita saúde e pronto para retomar a vida normal.
Mas esse momento tão esperado da cura e da alta médica pode eventualmente ser atravessado por uma notícia de recidiva, ou seja, quando a doença retorna. E nesse momento é preciso repensar o tratamento.
“Vou ter que enfrentar tudo de novo?”. Esse questionamento vem logo à mente do paciente ao receber a notícia de que precisará retomar o papel de “desbravador”. A recidiva tem um forte impacto tanto para o paciente, quanto para os seus familiares. Além do retorno da rotina hospitalar, a angústia e o medo reaparecem. Ao mesmo tempo, remete às experiências vividas no diagnóstico, porém com mais intensidade. A necessidade de recomeço gera sentimentos de frustração, medo, incerteza, desesperança, que variam conforme o tratamento e o intervalo entre o fim e a retomada.
Muitas vezes, o receio da recidiva está presente nas avaliações clínicas, no momento de refazer os exames e no retorno da consulta. O assunto não é agradável, nenhum paciente quer ter sua expectativa de cura frustrada, imaginar que seus esforços foram em vão e sentir o “seu mundo desabar”. Porém, a possibilidade existe e não necessariamente é uma sentença. Nesse momento pode-se conseguir o controle da doença e ainda a cura no processo.
A notícia também traz reflexões de como a família e os amigos irão lidar com essa situação. O paciente sente-se culpado por fazer os entes queridos reviverem os mesmos sentimentos que ele está passando. Por isso, é tão importante a união de todos para dar apoio e um novo significado para todo esse caminho. A esperança será retomada a partir dos vínculos e das estratégias de enfrentamento a serem tomadas.
Lembre-se: a possibilidade de cura existe, não desanime! O caminho pode ter desafios, mas você pode buscar desbravá-los e superá-los com fé e esperança.
Como dizia Raul Seixas:
“Veja/Não diga que a canção está perdida/Tenha fé em Deus/Tenha fé na vida/Tente outra vez!”

Fonte: CAVALCANTE, Mariana. Revista Abrale: Tente outra vez; Ed. 41 Julho/2017; p.56.