Inflação sobe 0,16% em setembro puxada por alta do preço da gasolina

O aumento do preços dos combustíveis levou a uma alta de 0,16% da inflação em setembro, quase o dobro do esperado por analistas.

O IPCA, a inflação oficial do país, subiu 0,16% em setembro, após alta de 0,19% no mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (6).

O índice acumula alta de 1,78% no ano —menor resultado registrado pelo IBGE desde 1998 para o mês de setembro.

Considerando os últimos 12 meses, o IPCA ficou em 2,54%.

Analistas ouvidos pela Bloomberg esperavam uma alta de 0,09% em setembro e de 2,47% no acumulado em 12 meses.

A expectativa do mercado é que a inflação em 2017 fique abaixo do piso da meta. A projeção de economistas ouvidos pelo Banco Central é que o IPCA termine o ano em 2,95%.

Se isso ocorrer, será a primeira vez que o BC terá que justificar uma inflação abaixo da meta, atualmente fixada em 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

“Ainda há o risco de a inflação terminar o ano abaixo do piso da meta… O dado do IPCA de setembro não altera o cenário prospectivo de inflação, rodando abaixo do centro da meta por um longo tempo”, afirmou o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno.

COMBUSTÍVEIS

De acordo com o IBGE, o litro da gasolina ficou em média 2,22% mais caro em setembro na comparação com agosto.

O instituto atribui a alta a mudanças na política de preços dos combustíveis, que passaram a ser reajustados com maior frequência pela Petrobras.

Em setembro, a empresa promoveu altas expressivas no preço da gasolina em função da alta nas cotações internacionais decorrente do impacto da passagem da tempestade Harvey pelos Estados Unidos, que reduziu temporariamente a capacidade de refino do país.

Foi observada uma alta de 0,79% nas despesas com transporte de modo geral.

ALIMENTOS E HABITAÇÃO

Os alimentos e bebidas registraram a quinta queda consecutiva na pesquisa (-0,41%), embora a taxa tenha desacelerado em relação a agosto, quando o recuo foi de 1,07%.

“A safra do primeiro semestre foi o aspecto determinante para a diminuição no valor dos alimentos”, afirma o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves.

As maiores altas entre os alimentos foram as carnes (que passaram de -1,75% em agosto para 1,25% em setembro) e as frutas (de -2,57% em agosto para 1,74% em setembro).

O preço do tomate, antes vilão da inflação, caiu 11,01%.

Outro grupo cujos preços caíram em setembro foi o de habitação (-0,12%), puxada principalmente pela redução das despesas com energia elétrica, com a entrada em vigor da bandeira amarela em 1º de setembro.

Segundo Gonçalves, a cobrança do quilowatt-hora dos domicílios foi reduzida em R$ 0,01.

Por outro lado, a elevação do preço do gás de botijão de 13 kg levou a um aumento de 4,81% do item no IPCA. (Folha de São Paulo)