Governo do Rio Grande do Sul anuncia a venda de até 49% das ações do Banrisul

O governo do Rio Grande do Sul anunciou, nesta quarta-feira (4), que vai vender até 49% das ações ordinárias (com direito a voto) do Banrisul. A justificativa é dar maior autonomia e relevância para o banco e arrecadar recursos que possam auxiliar o estado a enfrentar a crise financeira.

O governador José Ivo Sartori, no entanto, evitou falar em valores obtidos na negociação.

“Com essa operação estamos ganhando um nível mais elevado de governança e gestão, dentro das melhores práticas do mercado, preservando o interesse dos acionistas e da sociedade”, disse Sartori em pronunciamento.

Ele afirmou que o movimento não significa uma privatização. A oferta foi anunciada ao mercado por meio de um fato relevante, conforme regramento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Sartori ponderou ainda que mesmo com o valor obtido a partir da venda das 128 milhões de unidades acionárias (28,8 milhões preferenciais e 99,2 milhões ordinárias), a adesão ao plano de recuperação fiscal do governo federal não significa o fim da crise financeira pela qual passa o Rio Grande do Sul.

“Mesmo com a adesão ao regime de recuperação do estado, que podemos fazer num futuro mais próximo, não representa a solução definitiva sob o ponto de vista financeiro”, ressaltou.

No auge da crise financeira pela qual passava o país em 2016, as ações do banco eram negociadas a R$ 5 a unidade. A oferta pública agora é feita em um momento, segundo o governo, em que a unidade chega a faixa de R$ 17.

Em relação ao plano de recuperação fiscal junto à União, o governo ainda negocia os termos do acordo. Após a aprovação pelo Tesouro Nacional, a proposta deve ser analisada pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Dentro do plano deve constar a privatização de estatais como a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), a Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e a Sulgás. No entanto, isso ainda depende do resultado de um plebiscito para que possam ser vendidas.