Edifício Altino Arantes completa 70 anos

O maior símbolo arquitetônico da cidade de São Paulo está assoprando velinhas. O Edifício Altino Arantes comemora neste mês de junho 70 anos!

Incorporado no cenário paulistano e um dos mais importantes bens culturais da capital paulista, o edifício Altino Arantes levou 8 anos para ser construído. Suas obras iniciaram-se em 1939, com o objetivo de entregar uma nova sede para o Banco do Estado de São Paulo, um dos símbolos da pujança paulista.

Sua origem é bem mais antiga, de 1909, inaugurado com capital francês e sob a razão social de Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola de São Paulo. O banco só teria seu controle nacionalizado em 1919, durante a gestão do governador Altino Arantes.

O nome Banco do Estado de São Paulo só surgiria em 22 de setembro de 1927, época em que sua denominação foi alterada. Naquele momento o principal objetivo do banco era o financiamento da produção de café.

As obras de construção do edifício mexeram com o orgulho dos paulistanos. Era a primeira construção a desafiar a imponência do Martinelli, até aquele momento o mais alto edifício da cidade. Ao ser inaugurado foi agraciado como o maior edifício existente fora dos Estados Unidos.

Suas obras correram a todo vapor e com apenas um pequeno período de interrupção, no momento mais difícil da Segunda Guerra Mundial. Por anos, quem passava pela região central da capital paulista via a obra majestosa cercada por tapumes de madeira:

Inaugurado oficialmente em 27 de junho de 1947, o prédio já funcionava como sede do banco desde o ano anterior. As atividades do Banco do Estado de São Paulo no novo endereço começaram em 17 de junho de 1946, quando o edifício ainda passava por obras finais, especialmente na fachada e nos andares superiores.

Ao ser aberto em definitivo, eram revelados os gigantescos números do novo arranha-céu paulistano:

  • 161 metros de altura;
  • 35 andares;
  • 2000 cofres de aluguel de diferentes tamanhos;
  • Cofres forte com portas circulares de 16 toneladas (foto abaixo);
  • 14 elevadores;
  • 900 degraus;
  • 1119 janelas;

 

Os números grandiosos aumentariam em 1988 com a instalação do famoso lustre de cristal no hall do edifício. O objeto tem três metros de altura, pesa 1,5 tonelada e possui 10 mil peças de cristal. Para iluminá-lo são necessárias 150 lâmpadas.

O edifício logo se incorporou a paisagem urbana de São Paulo e transformou-se em um dos principais cartões postais da cidade. Mesmo não sendo mais o prédio mais alto da cidade de São Paulo, passou para o segundo lugar em 1965 e pro terceiro em 1966, sendo superado respectivamente pelos edifícios Itália e o Palácio W. Zarzur, o Altino Arantes nunca perdeu o status de símbolo da cidade.

PARABÉNS EDIFÍCIO ALTINO ARANTES!

Sete curiosidades sobre o Edifício:

1.A pedra fundamental do edifício foi lançada em 17 de setembro de 1939

2.O Banco do Estado de São Paulo é mais conhecido pelos paulistanos como BANESPA, este nome só se tornou oficial décadas mais tarde. A origem do nome abreviado vem do endereço telegráfico da instituição.

3.O edifício foi projetado por Júlio Botelho do Amaral e suas obras foram tocadas pela empresa Camargo & Mesquita.

4.O projeto original de Botelho do Amaral sofreu inúmeras alterações durante os longos anos da obra pois a construtora desejava que o edifício ficasse o mais semelhante possível ao Empire State Building

5.Na década de 1950 uma antena da extinta TV Tupi foi instalada no topo do edifício

6.O nome Altino Arantes foi incorporado ao edifício somente na década de 1960. Foi uma forma que o banco encontrou para homenagear o ex-governador paulista e primeiro presidente brasileiro desta instituição financeira.

7.Em 2011 o Edifício Altino Arantes foi tombado como patrimônio histórico do Estado de São Paulo pelo Condephaat.

EDIFÍCIO É DESPREZADO PELO SEU PROPRIETÁRIO, O BANCO SANTANDER:

Aos 70 anos de idade o Edifício Altino Arantes não tem muito o que comemorar. Vendido junto com as operações do banco para o Banco Santander em 2000, o imóvel nunca foi prioridade ou alvo de atenção pelo gigante financeiro espanhol.

Maior banco estrangeiro no Brasil e com um lucro líquido de R$ 2.8 bilhões só no primeiro trimestre do ano de 2017, o Santander Brasil não é capaz de entregar o edifício em condições decentes de visitação.

Detentor do edifício com o mais cobiçado mirante de São Paulo, desde 2015 está com as visitações suspensas. O banco alega desde aquele ano, conforme matéria veiculada pelo São Paulo Antiga à época que está em adequação interna. A entidade não revela qual é a suposta adequação e nem mesmo dá um prazo para reabertura das visitações.

O São Paulo Antiga questionou novamente o Santander Brasil este ano e obteve a mesma resposta de 2015. O desprezo da entidade ao principal símbolo arquitetônico de São Paulo merece o repúdio de todos os paulistanos.

Neste dia em que o edifício complete 7 décadas de existência, não houve – até o fechamento desta reportagem – qualquer menção da data pelo banco em suas redes sociais. Lamentavelmente ao banco só interessa o dinheiro dos correntistas. (Douglas Nascimento – São Paulo Antiga)